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Simples Nacional: Quanto uma pequena empresa paga em imposto?


Uma das despesas mais ingratas para donos de pequenas empresas é o imposto, ou melhor, são os impostos, porque são vários. PIS, Cofins, IRPJ, CSLL, ISS, ICMS, IPI, CPP…são tantas siglas que é fácil se perder nessa sopa de letras, e mais fácil ainda pode ser cometer erros na hora de calcular a alíquota efetiva desses impostos na pequena empresa.

As regras de incidência de cada um destes impostos assim como as diferentes alíquotas e base de cálculos dependem do enquadramento tributário da sua empresa, que pode estar enquadrada no Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

Simples Nacional

O regime de tributação do Simples Nacional é o mais popular entre as pequenas empresas, principalmente as que estão em início de atividade ou com baixo volume de vendas, pois é o formato que além de simplificar o recolhimento de todos estes impostos numa mesma guia, é também onde as alíquotas são menores nas primeiras faixas de faturamento. Se sua empresa estiver enquadrada no Simples Nacional, a primeira coisa que você precisa saber é em qual anexo ela está enquadrada. O Simples Nacional tem 5 anexos como podemos ver abaixo:


Anexo I – Comércio

Anexo II – Indústria

Anexo III – empresas que oferecem serviços de instalação, de reparos e de manutenção. Consideram-se neste anexo ainda agências de viagens, escritórios de contabilidade, academias, laboratórios, empresas de medicina e odontologia (a lista do Anexo III vai estar no § 5º-B, § 5º-D e § 5º-F do artigo 18 da Lei Complementar 123)

Anexo IV – empresas que fornecem serviço de limpeza, vigilância, obras, construção de imóveis, serviços advocatícios (a lista do Anexo IV vai estar no § 5º-C do artigo 18 da Lei Complementar 123)

Anexo V – empresas que fornecem serviço de auditoria, jornalismo, tecnologia, publicidade, engenharia, entre outros (a lista do Anexo IV vai estar no § 5º-I do artigo 18 da Lei Complementar 123)

Identificou em qual anexo sua empresa é tributada? Se sim, agora o segundo passo é verificar em qual faixa de tributação ela está dentro deste anexo. Por exemplo, vamos imaginar que sua empresa é uma agência de viagens, e que, portanto, ela está enquadrada no anexo III, sendo assim você deve observar a tabela abaixo, e considerando o valor da soma dos últimos 12 meses do faturamento da sua empresa, verificar em qual faixa ela deve ser tributada:

Simples Nacional Anexo III

Faixa de Tributação

Receita Bruta Total em 12 meses Alíquota Valor a Deduzir

1a Faixa Até R$ 180.000,00 6% 0

2a Faixa De 180.000,01 a 360.000,00 11,2% R$ 9.360,00

3a Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 13,5% R$ 17.640,00

4a Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 16% R$ 35.640,00

5a Faixa De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 21% R$ 125.640,00

6a Faixa De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 33% R$ 648.000,00


Localizou em qual faixa de tributação sua empresa está enquadrada? Não se esqueça que é preciso somar os últimos 12 meses de faturamento, e não o último ano, ou seja, se você estiver no mês de maio por exemplo você deve somar o faturamento entre os meses de maio do ano passado até o mês de abril deste ano. Seguindo o exemplo, vamos imaginar que nos últimos 12 meses fechados sua agência de publicidade somou o faturamento de R$ 500.000,00, ou seja, ela está enquadrada no anexo III da tabela do simples nacional, e a soma do seu faturamento se encontra na terceira faixa e desta forma deve ser tributada pela alíquota referencial de 13.5%.

Mas repare, que está ainda não é sua alíquota efetiva para fins de cálculo do seu imposto do mês, para isto ainda temos que descontar o “valor a deduzir” que consta ao lado da alíquota efetiva na tabela acima. Para se chegar na alíquota efetiva do imposto da sua agência você ainda deve aplicar a seguinte fórmula:

(RBT12*Aliq – PD)/RBT12, sendo:

RBT12: Receita Bruta Total acumulada nos doze meses anteriores

Aliq: alíquota nominal constante

PD: parcela de deduzir constante

Dessa forma, a alíquota efetiva da sua agência de publicidade que faturou R$ 500.000,00 nos últimos 12 meses ficaria assim:

500.000 x 13.5% – 17.640 / 500.000 = 9.97%

Pronto, agora que você encontrou a alíquota efetiva do seu imposto para o mês, basta multiplicar o seu faturamento do mês por esta alíquota. Vamos imaginar que o faturamento da sua agência de viagens no mês de Abril foi de R$ 47.000,00. Sendo assim a guia do imposto que você vai recolher será de:

R$ 47.000,00 x 9.97% = 4.685,00

Ufa…difícil? Pois é, a quem diga que Simples Nacional é simples apenas no nome não é mesmo.

O importante mesmo é você nunca perder de vista como seu imposto está sendo calculado por seu contador, pois erros infelizmente são comuns quando não se há o zelo necessário com o controle das notas fiscais que sua empresa emite ou mesmo quando seu contador realiza os cálculos dos seus impostos sem a ajuda da tecnologia hoje disponível.



Fonte: DNA Financeiro

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